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A nossa agressão ao meio ambiente está mudando o comportamento do planeta

atila-reis-ceo-encaminhecertoNome – Átila Reis
Idade – 35
Natural – Rio de Janeiro
Em Balneário desde – 2011
Formação – Engenheiro de Produção
Profissão – Especialista em projetos de Baixo Carbono
Cargo que ocupa – CEO Funder. É diretor de Desenvolvimento Sustentável da empresa Encaminhe Certo-Resiliência Inteligente
Estado civil – Solteiro
Comida predileta – Risoto de carne com funghi
Lazer –
Cavalgar na natureza
Um livro – Adapte-se – Andrew Zolli
Um filme – Cowspiracy – O Segredo da Sustentabilidade (documentário)
Uma música (ou gênero) – Cidadão Quem – Dia Especial
Planos pessoais e profissionais – Tenho dentro de mim uma vontade de deixar um espaço melhor para os que estão para vir. Na empresa, sempre nos preocupamos em executar ou planejar projetos de baixo impacto ambiental e sempre ajudando o social.

Por Marlise Schneider Cezar

Balneário Camboriú tem tudo para ser modelo no mundo em questões ambientais, mas ainda pre-cisa enfrentar muitos desafios e um longo caminho para chegar lá. Foi pensando nesse trabalho que ainda precisa ser feito que Átila Reis escolheu esta cidade para desenvolver sua empresa e o sonho que alimenta de gerar espaços mais saudáveis para as gerações futuras assim como para o próprio ambiente. Acompanhe:

Você foi o responsável pela vinda do capitão Moore e do Pal Martensson, que hoje são referências mundiais na área ambiental, para Balneário Camboriú durante a Semana Lixo Zero. Como conheceu eles?

Há alguns anos visitei o Pal Mar-tensson em Goteborg na Suécia, através do Rodrigo Sabatini – Ins-tituto Lixo Zero – Brasil. Lá pude ter os melhores ensinamentos em resíduos sólidos, espaço de cida-dania e muito apoio ao social, tive a honra de conhecer o parque fundado pelo Pal Martensson cha-mado Kretsloppsparken (um dos maiores parques de reciclagem do mundo) com um “mar” de novidades no mundo dos resíduos para pesquisa. Na minha volta, compilei as informações e pude desenvolver projetos de baixo carbono, exemplo de um deles é a Cervejaria que não descartará nenhum resíduo na natureza. Desde então não parei, e quando tenho a oportunidade em poder disseminar o conceito da não geração de lixo para população, a Encaminhe Certo não mede esforços. Quando o Instituto Lixo Zero passou o curriculum do Charles Moore, foi logo aceito, providenciamos tudo com muito carinho.

Qual é a origem do seu envolvimento com questões ambientais?

Quando entrou na “veia”, foi realmente na Suécia, lá pude ver o quanto podemos fazer para deixar algo melhor para o futuro.

Há quantos anos você está nessa ‘briga’ para despertar a consciência ambiental nas pessoas?

Há 8 anos.

Eventos como o Semana Lixo Zero despertam atenção suficiente, ao ponto de mudar o pensamento das pessoas?

Não só desperta como incentiva as pessoas mudarem de hábitos, coisa que é muito difícil. Mas isso fica guardado no subconsciente e dia pós dia as pessoas criam sua própria metodologia que vai de encontro com o conceito.

Como você analisa o futuro do planeta diante desse problemão?

Que estamos muito próximo de catástrofes regulares no Brasil, que anos atrás não existiam, mas hoje já é comprovado por estudos científicos que a nossa agressão ao meio ambiente está mudando o comportamento do planeta.

Qual é o lixo mais perigoso para o planeta?

O ser humano

Como, quando e onde nasceu a Encaminhe Certo Ambiental?

A Encaminhe Certo nasceu no intuito de trabalhar na educa-ção das crianças, criando aulas lúdicas em ambientes reais, mos-trando a real importância delas na sociedade. Também foi criado um espaço de cidadania, onde que as crianças junto a seus pais, pudessem dar um destino correto para seus resíduos. Finalizamos esse projeto em 2011, iniciamos a fazer reflorestamento, chegando a reflorestar em muitas partes do Brasil. No meio do processo enxergarmos que poderíamos fazer algo que pudesse ter mais impacto nas pessoas, resolvemos então fazer uma pesquisa para achar uma cidade que não fosse tão grande, que usasse um sisleto, como aterro sanitário e fosse em Santa Catarina.  Nas minhas visitas e pesquisa a cidade ganhadora foi Balneário Camboriú, um dos motivos foi o quanto tínhamos de trabalho a fazer e o segundo foi os amigos que eu já tinha na cidade. Assim visitei a Acibalc e desde então não nos separamos mais.

A Encaminhe Certo tem parceria para desenvolver projetos com a ONU?
Temos sim, um deles é ajudar os agricultores familiares a terem processos de baixo carbono, usando a tecnologia para reduzir o uso de recursos naturais e diminuição nos custos fixos.

Que tipo de projeto sustentável em nossa região está sendo desenvolvido sob sua coordenação?
Estamos fazendo a primeira Cervejaria do Brasil que não irá gerar nenhum tipo de lixo, até os efluentes iremos tratar pelo sistema de raízes chamado Wetland, não existirá nenhum tipo de resíduo sendo enviado ao aterro sanitário  o empreendimento está sendo construído na cidade de Antônio Carlos/SC, uns 50 km de Balneário Camboriú aproximadamente.

Você é diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Acibalc. O Capitão Moore quando esteve na cidade desafiou a Acibalc a organizar um programa tipo Balneário Lixo Zero 30….um projeto para preparar a cidade a longo prazo sobre estas questões. O que você acha disso? 

Muito importante a cidade ter uma meta e também participar do programa Lixo Zero, assim podemos maximizar o interesse das pessoas mudarem seus conceitos, reduzindo sua produção de lixo e até mesmo tendo uma qualidade de vida melhor.

Parece que ele (o capitão) não acredita muito em organizações públicas fazendo esse tipo de programa. Ou não?

Isso mesmo, pois somos reféns de um problema que vem de muitos anos sem interesse a ser extirpado, depois da evolução industrial o lixo foi se tornando um problema muito grande para sociedade, desde então esse problema virou uma forma de muitas empresas darem muito dinheiro sem trabalhar na melhoria desse sistema. Hoje temos tecnologias para que não exista mais aterro sanitário, não estou falando em queimar os resíduos, falo de tratar esse problema na causa, não no efeito, assim poderíamos deixar o lugar melhor para nossas futuras gerações.

Um território pequeno como o nosso, com pouco mais de 100 mil habitantes, sem indústrias, com tanta natureza à volta, poderia ser uma cidade-modelo em coleta ambiental. No entanto, estamos estacionados, as coisas não andam, a coleta seletiva existe, mas o pessoal não adere…não temos um usina, um local apropriado para nosso lixo, não temos um projeto de reciclagem que funcione…como resolver isso?

Balneário Camboriú tem tudo para ser modelo para o mundo, a coleta seletiva só irá funcionar quando todos os pilares tiverem “andando” em sintonia. Não ainda só uma parte fazer sua parte. A lei do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos é bem clara, todos somos responsáveis pelo que geramos, basta colocar a lei para funcionar que a melhora é muito considerável. Isso não vai mudar da noite para o dia, temos que trabalhar com uma meta, criar Ponto de Entregas Voluntárias (PEVS), parque de reciclagem, ambiente no condomínio que passam tratar os resíduos no próprio local. Temos que nos reciclar, ter espaços que as pessoas, indústrias, comércios e etc possam dar destino correto em seus resíduos e uma empresa que possa dar um destino final correto.

Você é especialista em projetos de captação de crédito de carbono, o que é isso, como funciona? 

Sim, a captação de crédito de carbono pode ser feita de várias maneiras, uma delas é neutralizar o gás carbônico de uma floresta, por exemplo (sequestro de carbono), cada tonelada neutralizada equivale a uma tonelada, esse crédito é vendido para empresas compensarem suas emissões. Também pode ser feito em empresas, projeto funciona no desenvolvimento de estratégias de compensação e inovação na área de Gases de Efeito Estufa (GEEs). 1° Calculamos todas as emissões geradas pela empresa ou empreendimento; 2° Reduzimos essa carga de emissão com estratégias de baixo carbono; 3° Compensamos o impacto gerado pela empresa; 4° Comunicamos aos envolvidos toda estratégia. A empresa pode construir projetos certificados com padrões internacionais que reduzem suas emissões de gases de efeito estufa, o CO2 que não for emitido, transforma em crédito de carbono que equivale a uma tonelada de CO2 que deixa de ser lançada na atmosfera.

Qual a cidade que você tem como referência de desenvolvimento sustentável, que poderia servir de exemplo para a nossa cidade.

Cidades tem culturas diferentes, mas… gosto de Goteborg na Suécia e Flayosc na França.

Na área ambiental de 1 a 10 qual seria a nota que daria pra nossa cidade?

Em relação a resíduos sólidos 2

Gostaria de acrescentar algo?

Acredito muito no potencial de BC para se tornar uma cidade inteligente, gerando espaços mais saudáveis para o ser humano e meio ambiente.